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O Estudo do Antigo Testamento

Introdução ao Curso - Agosto/2009


O curso desse período inaugura uma séria de análises que, fragmento por fragmento, procura constituir, pouco a pouco, uma busca dos significados e de ampliação de união sobre os textos das escrituras.

Trata-se de situar o lugar e definir o papel da escritura na vida daqueles que começam o seu estudo.
É oportuno dimensionar a importância do estudo para as diferentes práticas de fé, possibilitando uma seletividade para o saber teológico.

Introduzimos cada segmento totalizando quinze semanas, com duas avaliações no período.

Convidamos os interessados a acompanhar pelo Blog do Convento do Carmo.

Frei Lino de Oliveira O.C.

Continuação da Apostila 2- A leitura de Marcos

Para compreender melhor os escritos, o autor recomenda que a leitura seja feita seguidamente, isto é, não fragmentá-la em trechos, para que possa ter uma visão de conjunto, como uma mensagem única. O Evangelho de Marcos anuncia a vivência da Boa Notícia de Jesus e essa leitura deve ser feita, para melhor entendimento, de uma só vez. Por outro lado, depois da leitura completa, pode-se dividi-lo em trechos, de acordo com os critérios de cada comunidade.

Como argumentado nas apostilas anteriores, sempre que reescrevemos algo, inserimos algumas de nossas particularidades no texto, assim como acrescentamos com nossas reelaborações filosóficas. O Evangelho de Marcos é um exemplo disso. Ele, quem os estudiosos acreditam ser João Marcos, companheiro de Paulo e Barnabé ou companheiro de Pedro em Roma - sabe-se pouco dessas informações- fez uma releitura do Antigo Testamento e, inclusive, adapta os escritos que falavam sobre 'preparar o caminho de Deus na Terra', atualizando como o 'Messias preparando o próprio caminho'. Como explica o autor "o Evangelho não hesita em usar para Jesus esse nome divino do Senhor".

Na primeira parte do Evangelho, ele abrange o tema de João Batista e a vivência da religião, que vem do deserto e vai se fortificando por meio de ritos populares, porém está a margem. A nova religião é sobre a vida de Jesus. É a Boa Nova. O autor explica que, nesta parte dos escritos existe uma imprecisão - o que faz chegar a conclusão de que "parece indicar que é uma história feita por uma comunidade pobre e dirigida a pobres".

A segunda parte do relato é sobre o Espírito que leva Jesus ao deserto. Após passar um tempo em território estrangeiro inicia-se uma missão de purificação. E a terceira conta sobre o enfrentamento para com o sistema religioso e político vigente. São as atividades de Jesus com relação aos estrangeiros, pecadores, pagãos, doentes, escravos e pessoas com ofícios considerados impuros. Mais tarde, com os lavradores, artesãos, mulheres e crianças. Os comerciantes e judeus também são informados da mensagem de Cristo e seus milagres, assim como os mais altos cargos na pirâmide social da Palestina, como sacerdotes, levitas, escribas, o Governador e até mesmo o Sumo Sacerdote. Quanto mais alto ía sua mensagem, maiores as resistências de conversão ou aceitação. Logo depois, a Paixão e a Ressureição.

Por fim, podemos perceber que o Evangelho de Marcos fala especificamente da vida de Jesus. Não aborda muito os conflitos do Império, mas sim o enfrentamento de Cristo com relação ao poder judaico. Isso se explica porque a comunidade que os escreveu estava sendo perseguida pelos judeus, logo, é mais marcante em seu Evangelho.

Apostila 2 - O testemunho de três gerações

Comunidades paulinas, Evangelhos e os cristãos depois dos apóstolos. Essas são as três gerações que escreveram sobre a vida de Jesus.
A primeira, ou seja, as cartas paulinas, foram escritas com base na proclamação da morte e ressurreição de Cristo, o qual chamavam de "evangelho", que inicialmente significa o anúncio, a boa nova.
A segunda geração fez algo além: escreveu os testemunhos da vida de Jesus e, ao mesmo tempo, tentou resolver, por meio desses ensinamentos, os problemas que enfrentavam em sua comunidade.



Bíblia: uma experiência comunitária


O evangelho, primeiramente foi vivido, pois as comunidades viveram a conversão e também puderam participar do convívio dos que testemunharam. Com isso, os evangelhos foram transmitidos oralmente, como era a tradição da época. As comunidades executavam essa prática de forma fácil, com o uso de palavras-chave e repetição. Assim, foram transformando os relatos a partir do contexto local, para que as pessoas se convertessem das leis judaicas e para ajudá-las a acreditar na ressureição de Jesus e no Reino de Deus. Mais tarde, o evangelho foi escrito por uma comunidade que pegou Marcos como ponto de referência, depois outras também passaram a escrever cada qual o seu testemunho.

Chamamos de terceira geração, os que não puderam conviver com os apóstolos, mas continuaram a passar por escrito os testemunhos dos anteriores.
Muitos conflitos ocorreram no decorrer dos anos, inclusive dentro das comunidades. As pessoas começaram a ter muitas dúvidas com relação a mensagem cristã e entraram em crise de fé. Por isso, os que acreditavam nos escritos sentiram uma grande necessidade de aprofundar a Palavra de Deus, "relendo o Antigo Testamento à luz da fé pascal".

Continuação da Apostila I - Hermenêutica: fusão e ultrapassamento

O trabalho de um exegeta é buscar o sentido do que o autor escreveu. Porém , essa compreensão leva em consideração não apenas o conhecimento do texto bíblico, como explica João Pedro, autor do texto do qual estamos trabalhando, " o exegese deve se conhecer tão bem quanto conhece os textos sagrados, autor e o contexto dos leitores. No momento da análise, ele entra com sua pré-compreensão, fatores pessoais como personalidade, estrutura mental e psicológica, cultura, religião e tradição. Além de conhecer-se bem, deve conhecer seu mundo e sua comunidade".

Será que podemos compreender o autor melhor do que ele se compreender a si
próprio?
"A genialidade do intérprete e a existencialidade da comunidade ouvidora determinam aquilo que o texto fala"- é o que argumenta o autor ao explicar que muitos hermeneutas se apressam ao examinar a exegese e acabam por "colocar palavras na boca do autor", tentando ser objetivos demais. Outros hermeneutas vão além da interpretação, interrogando-se sobre o que o texto não tratou. Logo, tentam entender mais o autor do que ele a si mesmo. João Pedro diz que isso não é possível, pois o "autor estava em pleno domínio das considerações que animaram a sua composição, não compreendemos melhor o autor, compreendêmo-lo de um modo diferente".

Por outro lado, muitas vezes acontece do leitor saber mais do que o autor sobre determinado assunto. Quando este lê um texto e dentro de algum trecho, examina seu próprio repertório e sua bagagem cultural, pode pegar a passagem e fazer dela tema de uma nova pesquisa. Pesquisa feita e já se foi mais longe que o autor anterior.

Na hermenêutica pode-se mudar a situação história, o ambiente, , os ouvintes e as ideias de quem falou. Com isso, ultrapassa-se o sentido original, dialogando com os leitores do "agora". Na exegese, o que acontece é a descoberta do sentido da época, o "lá". Mas ambas dependem uma da outra, pois a exegese é usada como base para a hermenêutica e esta é feita para que a exegese seja melhor compreendida.

Aula Inaugural (Curso Sinóticos e Atos)

No dia 02, segunda-feira, foi realizada a aula inaugural do Curso de Formação Teológica para Leigos, no Beato José de Anchieta, tendo como palestrante o Padre Vincenzo Frizzulo, religioso italiano da Ordem da Santíssima Trindade e coordenador das pastorais da Diocese de São Miguel Paulista.

O religioso dividiu o tema Catequese em alguns aspectos, como exemplo, O que é o ano catequético?; Quais são as motivações que impulsionam o catecismo; E todos os documentos produzidos e usados como base de material didático.

O lema escolhido para direcionar o ano catequético de 2009 , que segundo a CNBB, foi escolhido como o segundo dedicado à catequese no Brasil, foi extraído do Evangelho de Lucas "Nosso coração arde quando Ele fala, explica as Escrituras e parte o pão" (Lc24,13-35).

A palestra durou cerca de 2 horas e dentro deste tempo foram ressaltados a importância da pessoa do catequista, tendo em vista sua formação e entendimento dinâmico, pois é ele quem irá expor os pensamentos da Igreja Católica aos próximos discípulos. Por isso, há uma grande necessidade de uma maior valorização dessas pessoas que, segundo o Diretório Catequético vigente no Brasil, tem qualidade superior ao de muitos países europeus, eliminando, assim, um eurocentrismo na formação dos conceitos religiosos.


Catequista não é aquela senhora que não tem o que fazer em casa !

Sabendo-se que os Ministérios mais fundamentais da igreja são aqueles ligados à palavra e, dentre eles, o mais importante é a catequese, Pe. Vincenzo enfatizou que devemos investir naqueles que trabalham com a formação religiosa e deixar o pensamento de que a catequista é aquela senhora que vai para a igreja apenas com a intenção de ocupar-se. Além disso, abordou um ponto muito interessante e carente na maioria das igrejas : A preocupação excessiva com a primeira Eucaristia, deixando de lado a formação de novos líderes. Esse momento da palestra apontou que a CNBB enxerga o fato de que apenas o adulto tem o poder de decisão, logo, entende-se que não basta a apresentação do Evangelho e seus ensinamentos, é necessário catequisar. E estes, impulsionados às missões de evangelização, estejam cada vez mais inseridos no contexto.

Incentivo aos cristãos

Frei Lino de Oliveira, prior do Santuário do Carmo e professor do curso de Bíblia - Evangelhos Sinóticos e Atos dos Apóstolos, esteve na aula inaugural e afirmou considerar brilhante as colocações feitas por Pe. Vincenzo que, por sua vez, apresentou uma nova tentativa da igreja Católica de impulsionar os cristãos a serem discípulos e missionários.

"No momento das intervenções, estive atento a três aspectos estruturais que me pareceram oportuno: o momento do 'Canto da Sereia' (DOSSE,François/1950), ou seja do 'saber fazer' em especial observando que as lideranças não se motivam para tanto. O momento do 'Canto do Cisne' (idem), ou seja, do 'saber dizer' o interessante é que ainda vivemos a mentalidade de acomodação com relação aos eixos motivadores da catequese. Outro momento é o da “lhaneza” ou seja do “acolher”, do “dispor”, do “celebrar”, do “tocar”, onde as circunstâncias não são as melhores ainda pois, pelo contrário, não acolhemos, não hospedamos e pouco nos dedicamos em encarnar a mensagem cristã. ", argumentou o Frei.

Como sabemos, é um grande desafio estar próximo da pessoa de Cristo, e isso depende exclusivamente de nossa vontade, logo, Pe. Vincenzo afirmou que se estivermos atentos ao discípulado e cuidarmos para que os catequisadores da igreja Católica estejam preparados e contextualizados na formação e inclusão de novos líderes, veremos o quanto a igreja precisa do catequista e que sua presença é fundamental.
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Fonte: Cimara Aparecida de Leão

Novidade para os alunos do curso de Formação Teológica para Leigos

Pensando numa forma de interagir com os alunos do curso de Formação Teológica para Leigos, apresentado toda quarta-feira, das 19h30 às 22h15, no Instituto de Formação Teológica Beato José de Anchieta, o Blog do Convento do Carmo vai dispor o conteúdo, de forma prática e resumida, para aqueles que estejam interessados, ou, aos alunos que não puderam comparecer às aulas. A intenção do Blog é discutir os temas apresentados, transformando o veículo em uma sala de bate-papo direta com o Convento. Logo, os alunos podem interagir postando comentários sobre os conteúdos expostos e até mesmo esclarecer dúvidas.

Os artigos serão numerados de acordo com as aulas e um link, de nome " Curso- Sinóticos e Atos", poderá ser encontrado ao lado direito da página do Blog, simplificando a busca de postagens antigas.
Esperamos colaborar !

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